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Paris, 9 dez (EFE) - A instituições mais corruptas do mundo
são os partidos políticos, alertou nesta quinta-feira a
Transparency International (TI), que pediu aos governos o uso
de todos os recursos para combater a corrupção, e situou o
Brasil entre os primeiros na lista dos países com os políticos
mais corruptos.
Em um relatório apresentado em Paris, a organização
não-governamental (ONG) - única no mundo que se dedica
exclusivamente à luta contra a corrupção - disse que, para a
opinião pública mundial, a corrupção política é um "problema
sério" que supera a corrupção nas empresas e na vida privada.
Os partidos políticos tiveram a pior avaliação em 36 dos 64
países considerados no Barômetro Global sobre a Corrupção da
TI, publicado nesta quinta-feira no primeiro Dia Internacional
Contra a Corrupção, declarado pela ONU.
Depois dos partidos políticos, as instituições mais corruptas
do mundo são os parlamentos, a polícia e o poder judiciário,
segundo o relatório da TI, baseado na opinião de 50 mil
pessoas entrevistadas pela Gallup International.
Com uma pontuação média de quatro pontos, em uma escala máxima
de cinco pontos para as instituições mais corruptas, os
partidos são as instituições situadas em pior colocação em
seis de cada dez países.
O Equador lidera a lista das nações com os políticos mais
corruptos para seus cidadãos, com 4,9 pontos, seguido por
Argentina, Peru e Índia (4,6) e Bolívia, Brasil, Costa Rica e
México (4,5).
Além disso, o relatório destaca o alto grau de corrupção
política em países como França (4,1), Polônia (4,2) e Ucrânia
(4,3). Também na Espanha a principal corrupção é a política
(3,8), na frente da corrupção dos meios de comunicação (3,6),
das empresas (3,5) e do poder judiciário (3,4).
Durante todo o dia, de acordo com a comemoração do I Dia
Internacional contra a Corrupção, as seções nacionais da TI
pressionarão os governos e parlamentos dos países a aprovarem
o Convênio das Nações Unidas contra a corrupção.
O tratado, que foi assinado por 12 países mas precisa de 30
assinaturas para entrar em vigor, facilitará a recuperação e a
devolução de ativos roubados pelos políticos, além de
favorecer as extradições de líderes corruptos que buscarem
asilo no exterior.
Mas os partidos políticos não são as instituições mais
corruptas em todos os países e, dessa forma, em Argentina,
Indonésia, Coréia do Sul, Taiwan e Ucrânia foram superados
pelos parlamentos e legisladores.
Em Camarões, Geórgia, Gana, Guatemala, Quênia, Malásia,
México, Moldávia, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Rússia,
África do Sul e Ucrânia, a polícia foi considerada a
instituição que exerce uma maior corrupção, enquanto o poder
judiciário dominou as pesquisas em Afeganistão, Croácia,
Macedônia e Venezuela.
Em cinco dos países considerados (Camarões, Quênia, Lituânia,
Moldávia e Nigéria), pelo menos um em cada três entrevistados
disseram que eles ou outros membros de sua família pagaram
suborno nos últimos doze meses.
No mundo todo, o número das pessoas que subornaram supera 10%,
enquanto na União Européia os gregos foram os que fizeram mais
subornos no último ano, com 11%.
Além disso, a corrupção é uma marca que afeta sobretudo os
setores mais pobres: 50% dos entrevistados com baixa renda
consideram os atos menores de corrupção um "grande problema",
uma porcentagem que cai para 38% no caso dos entrevistados de
alta renda.
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