|
O
avanço da internet como veículo de comunicação no País
vem produzindo efeitos também no campo eleitoral. Apesar do número
de usuários ser ainda pequeno se considerarmos o universo
eleitoral brasileiro, ele vem crescendo a cada dia e já se
aproxima dos dez milhões segundo projeções do Comitê
Gestor da Internet no Brasil.
Outro
obstáculo a ser levado em conta é o fato de que a política
não é propriamente o assunto mais procurado na internet.
Assim como nos outros meios de comunicação o desinteresse
por esse assunto é grande, mas em particular na internet, o
seu espaço é ainda mais reduzido visto que o caráter
informativo (aqui como forma de o usuário estar informado
sobre as principais notícias) não é o seu forte. Busca-se
na rede, em escala muito maior, assuntos diversos como música,
sexo, relacionamento pessoal, programas de computador, compras
on-line, além de outros. Mas este também é um dado que
apresenta sinais de mudança, pois notamos que embora
reduzido, cresce a cada dia o número de pessoas que se
utilizam desse canal para se informar sobre os diversos
assuntos que cercam o nosso cotidiano. Prova disso foi quando
houve o atentado terrorista em Nova Iorque e Washington, onde
a rede acusou um número gigantesco de acessos, a grande
maioria de pessoas procurando informações sobre o
acontecimento nos principais sites de notícias.
Assim,
muito embora existam estes fatores, falando-se de campanhas
eleitorais, ter um site na internet significa mais uma peça
de artilharia na batalha pelo voto a um custo relativamente
barato. Saber usar este instrumento é que se torna a grande
questão.
Para
tanto, em primeiro lugar é preciso saber o segmento em que o
candidato está atuando, ou seja, qual é a sua base
eleitoral, em que se baseia sua plataforma política e qual é
o eleitor que se pretende atingir. Dependendo deste parâmetro,
a internet pode ser tanto um canal inócuo, como também se
tornar indispensável para a campanha.
Por
exemplo, para um candidato que tem sua campanha baseada no
tema ecologia, e que tem um bom histórico pessoal na luta
pela preservação do meio-ambiente, ter um site hoje é
fundamental. Note-se que este candidato possui um conteúdo
específico de informações para poder transmitir através de
seu site e o seu público alvo é formado por indivíduos que
em geral tem acesso a esta tecnologia.
Mas
mesmo que a massa de seu eleitorado não possua estas condições,
é importante ressaltar que o público seleto que se atinge
com esta mídia é composto geralmente por influenciadores de
votos _ aqueles que pelo seu nível intelectual, cultural e
social podem influenciar outros a seguirem suas opiniões _
sendo desta forma, a internet, um canal eficaz para atingir
indiretamente o seu eleitorado.
Aliás,
cumpre destacar que atualmente a principal função do site de
campanha eleitoral não é exatamente fazer com que um eleitor
indeciso vá procurá-lo para decidir em quem vai votar, mas
sim de dar embasamento àquele que já fez sua opção e busca
mais informações sobre o seu candidato gerando um
entrosamento com ele e, significando assim, mais munição
para que este influencie outros eleitores.
O
Lado Operacional
Custo
e Registro:
Há
três momentos em que se deve despender recursos para colocar
o site em operação. O primeiro é o registro, onde se deve
pagar uma taxa inicial e depois taxas anuais para ter o seu
domínio registrado, porém, o TSE nas eleições passadas
disponibilizou o endereço www.(nome do candidato e número).can.br,
que pôde ser usado sem o pagamento de taxas, o candidato
interessado deveria providenciar o cadastro no registro.br,
comunicando no prazo máximo de 48 após a efetivação do
registro ao Juiz Eleitoral da zona onde pediu registro de sua
candidatura, indicando o endereço eletrônico adotado. O
segundo ítem é a hospedagem do site, pois é necessário se
ter um provedor para que o seu site fique ali armazenado. E
finalmente, a criação do site e sua manutenção, que poderá
variar consideravelmente entre zero (se o candidato fizer ele
mesmo, ou alguém o ajudar a elaborar o site) até um valor
indeterminado, dependendo dos recursos e a estrutura utilizada
no site.
Duração:
O
site de campanha tem uma vida útil curta, aproximadamente três
meses (ou um pouco mais em se tratando de campanhas de dois
turnos), iniciados no dia 6 de julho do ano eleitoral e indo
até o primeiro domingo de outubro, dia das eleições. Na
verdade, esta restrição não foi imposta pela lei eleitoral,
mas por uma resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
que igualou o site de campanha à outras espécies de
propaganda eleitoral e estendendo à ele a proibição de
ocorrer antes do dia 6 de julho. Vale ressaltar, porém, que
segundo o TSE, não é proibido que os candidatos tenham páginas
pessoais, mas colocar em seus sites pesquisas de intenção de
voto e referências, mesmo que indiretas, à ocupação de
cargos políticos, caracteriza a propaganda eleitoral
antecipada. Nas últimas eleições, só no Estado de São
Paulo, houve cerca de 24 representações encaminhadas pelo
Ministério Público sobre propaganda antecipada na Internet.
Parte delas foi considerada procedente por justamente fazer
referências ao cargo político pretendido e por apresentar
propostas para o exercício do cargo. Em outros países como
os EUA, por exemplo, não há uma restrição como aqui, o próprio
presidente americano mantém o seu site pessoal atualizado
mesmo fora do período eleitoral (www.georgewbush.com).
Conteúdo
e Lay-Out
O
conteúdo será ditado conforme o segmento eleitoral em que
está enfocada a campanha do candidato, como já se disse
antes. O site é sem dúvida, um instrumento eficaz para o
candidato passar sua plataforma e histórico de maneira
detalhada. Mas não convém criar um site muito extenso, mesmo
porque este terá uma duração muito curta, como já se disse
e além do que, pode-se tornar muito cansativo para o
visitante.
Despertar
Interesse:
O
site deve ser interessante, a fim de atrair o eleitor. Mas
sites interessantes já existem aos montes na internet, por
isso, é importante que se crie algo mais específico para o
seu público-alvo, inserindo algo relacionado diretamente à
ele. Por exemplo, se se tratar de um candidato que atua num
determinado bairro da cidade, é de valia colocar informações
específicas sobre este bairro: linhas de ônibus, obras a
serem realizadas, comércio, moradores ilustres, história
ilustrada do bairro e outras curiosidades.
Facilidade
de Navegação:
A
página inicial do site (“homepage”) deve ter indicações
para onde o visitante deva querer se dirigir, jamais preencha
esta página com históricos do candidato ou outros trechos
longos. O visitante é quem deve escolher o que quer ver. E as
demais páginas devem ter um volume bem dosado de informações
para não se tornar fatigante.
Vinhetas:
Geralmente
em sites informativos não se usam vinhetas (animações gráficas
associadas à música ou efeitos sonoros produzidas para
internet através de programas específicos), mas num site de
campanha estes artifícios são bem vindos, porque a informação
prestada no site não deixa de estar inserida no contexto da
propaganda eleitoral, logo, com este composto de movimento e
som se atinge também o lado emocional do espectador.
Funções
Acessórias
A Divulgação
|