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A psicologia do rumor
Os rumores,
o boato, a rádio peão, que integram as redes informais, dentro
das organizações, não podem e não devem ser tratados sob a ótica
do combate ostensivo e contundente. Trata-se de uma expressão
legítima da comunidade e, como tal, merece uma análise séria e
profunda. Farei algumas considerações a respeito do tema.
Começo
lembrando que os ambientes organizacionais são propícios ao
desenvolvimento de rumores, provocados em função da
instabilidade e insegurança dos tempos de crise. Tais fatores se
originam em causas como a ameaça de demissão, a perda de poder
de níveis de direção, gerência e chefias, as promoções de
determinados chefes em detrimento de seus pares, a nomeação de
novos comandos, a tensão gerada pelo fechamento de unidades, as
expectativas criadas nos momentos de aumento salarial ou por
ocasião dos períodos de negociação coletiva etc.
O próprio
ambiente social e político conturbado, que retrata uma moldura
recessiva, com aumento das taxas de desemprego, principalmente
nas áreas urbanas dos grandes centros, determina certos padrões
de comportamento dos grupos organizacionais, adensando as redes
informais. Portanto, aos fatores endógenos juntam-se aspectos
exógenos, externos às empresas, formando o ambiente ideal para o
zumzumzum: alguém que ouviu dizer que fulano disse ter ouvido de
sicrano que, por sua vez, soube as coisas por beltrano...e assim
por diante.
O rumor
atende a uma necessidade humana, que reúne as expectativas e
ansiedades. A pessoa quer saber o que está acontecendo a seu
redor ou até um pouco mais longe. Essa curiosidade inata está na
base de sua segurança. Quer dizer, sabendo o que ocorre, a
pessoa pode se equilibrar, harmonizar-se. Fica feliz em saber
que está salva, livre de ameaças. E quando se informa que o
perigo também está perto de si, procura, por todos os meios,
precaver-se. E melhor maneira para tanto é buscando o escudo da
informação.
Como se
sabe, as pessoas agem e reagem de acordo com quatro mecanismos,
dois relacionados à conservação do indivíduo (impulsos combativo
e alimentar) e dois que se ligam à conservação da espécie
(impulsos sexual e paternal). Os primeiros levam em conta o
conjunto de necessidades básicas enfeixadas na luta pela vida.
Tudo que ameaça a pessoa - demissão, falta de alimento,
limitações materiais e condicionamentos e conflitos psicológicos
- leva-a a reagir por meio de automatismos, que constituem os
mecanismos que estão na base das reações ou dos reflexos inatos.
A insegurança provocada pelo trabalho numa organização aciona
freqüentemente esses automatismos. O medo, a angústia, a
depressão, a coragem, o entusiasmo, a agressividade, a luta pelo
poder, a dominação, a luta por cargos e salários, a ameaça, o
encorajamento são alguns dos sentimentos e valores que acionam
os mecanismos inatos das pessoas. Essa é uma base psicológica
para explicar a teia de relações das redes informais, a partir
das operações que ocorrem nos centros nervosos de cada pessoa.
A cadeia de
grupinhos
E como se
desenvolve a cadeia do rumor, o sistema de transmissão da
rádio-peão? O rumor se desenvolve nos elos de uma cadeia
sociológica de grupinhos, pequenos núcleos. Uma pessoa se
encontra com duas outras, e começa a conversar. Desse núcleo
inicial, saem as pessoas, que se encontram com mais três ou
quatro. Uma delas diz: "você sabe o que está acontecendo? Puxa
vida, está acontecendo isso e aquilo, uma bomba... Então, é bom
que a gente fique atenta." Do segundo grupo, saem as pessoas
para iniciar novas conversas com grupos de três ou mais pessoas.
A partir desses núcleos, vai se formando uma cadeia
horizontalizada, com fofocas de todos os lados. No oitavo grupo,
a lagartixa já está do tamanho de um jacaré.
O mecanismo,
agora, é o da adição de novos fatos. As pessoas vão preenchendo
os espaços informativos com as cargas emotivas, filtradas por
seus interesses particulares ou de seu grupo de referência. Ao
lado do fator de acréscimo, faz-se também a elipse, ou seja, o
corte, a eliminação de partes que não satisfazem o sistema
cognitivo. A pessoa vai cortando o que não interessa, deixando a
história na conformidade da recompensa que espera pela
interpretação dos fatos. Com elipses e acréscimos, a rádio-peão
transmite seus programas rotineiros, sem hora marcada, tendo
como interlocutores todos os colaboradores e empregados em
condições de ver, sentir e ouvir. O interesse é geral. Até os
níveis mais altos desejam saber que tipo de rumor ou mesmo
fofoca está acontecendo lá embaixo, no chão de fábrica ou nas
salas dos escritórios.
Os termos
usados
A coisa
funciona como uma espécie de telefone sem fio. Cada pessoa vai
jogando na cadeia comunitária seus sentimentos, suas angustias,
suas alegrias, suas frustrações, suas raivas. Forma-se, assim,
um denso acervo sentimental, codificado e decodificado e
reinterpretado diversas vezes por essa cadeia sociológica de
grupinhos. A verdade inicial sai da letra A e chega à letra Z,
passando por todo o alfabeto. Há um ditado que diz: a verdade
acaba, mas a história continua. Pois bem, com a rádio-peão, a
verdade vai se acabando logo nos primeiros grupos, mas a
história vai continuando até o último dos grupos de uma
organização. Esta é uma explicação mais ou menos didática para
mostrar o fluxo do rumor na organização. O rumor assume,
freqüentemente, o conceito de fofoca.
Fofoca tem
mais um sentido depreciativo. Quando alguém usa o termo, é
porque o assunto já está se transformando em questão menor,
entrando no terreno da galhofa, da brincadeira. O termo fofoca
se aplica de maneira mais intensa às temáticas envolvendo
relações entre os gêneros masculino e feminino, quem está saindo
com quem etc. Resvala pelo lado pessoal.
Os rumores
organizacionais ou boatos tratam, como foi acentuado, dos
problemas que geram insegurança interna. E quanto ao termo
rádio-peão, vale a pena um esclarecimento. Este termo surgiu
dentro do ambiente industrial no ABC paulista, na esteira dos
movimentos sindicais. O rádio-peão é o termo que mostra uma
intrínseca relação entra a peãozada e sua capacidade de se
"antenar" com a sociedade. É rádio no sentido de que realmente
existe uma emissora informal na organização, que se contrapõe à
radio formal, oficial, a rádio normativa, a rádio dos
memorandos, a emissora dos ofícios, das ordens, dos relatórios.
Trata-se do canal da peãozada, com uma audiência muito maior,
mais fiel e mais efetiva. Essa rádio nasceu e se desenvolveu no
bojo das intensas reivindicações trabalhistas dos sindicatos do
ABC Paulista. No movimento sindicalista, a partir das décadas de
70 e começo dos anos 80, cresceu e se fortaleceu o perfil de
Lula, que comandava aquela massa. Aquilo era uma imensa Torre de
Babel efervescente, com discursos candentes, a ditadura
prendendo, os trabalhadores procurando uma luz, uma antena com a
sociedade. A rádio-peão se apresentou como uma tuba de
ressonância para responder à restrição da locução determinada
pela ditadura. Ou seja, o trabalhador passava de ouvido para
outro ouvido, como num cochicho, sua versão para os fatos.
Contraponto
ao oficialismo
Nesse
sentido, a rádio-peão serviu como contraponto para responder às
grandes falas oficiais. Foi uma espécie de grito preso na
garganta, que se contrapunha ao fechamento, aos anos de chumbo,
à repressão, à boca fechada. Sua importante tarefa era a de
integrar os trabalhadores, unindo-os em torno das bandeiras e
propostas sindicais. A radio peão, com sua força e eficácia,
conseguiu a integração do movimento dos trabalhadores, servindo
aos objetivos das entidades e, de alguma forma, sendo um grande
palanque para as categorias de trabalhadores. Obteve um
desempenho extraordinário no sentido de criar uma comunidade
mais unida e solidária.
De lá para
cá, o que se viu foi um esgarçamento dos movimentos
trabalhistas, com a repartição das categorias pelas grandes
Centrais sindicais, a partir da Força Sindical e CUT e o
arrefecimento ideológico-doutrinário. É oportuno lembrar que o
conflito clássico entre o capital e trabalho deixou, há muito
tempo, a esfera das ruas, entrando no ambiente mais comportado
da interlocução, da negociação, nas casas do patronato e nos
próprios sindicatos e centrais. Numa época, as negociações
ocorriam nas mesas da FIESP, com Lula aparecendo como principal
interlocutor por parte dos trabalhadores. Havia, portanto, outro
patamar de negociação, ao contrário dos tempos da Vila Euclides,
quando a luta se dava nas ruas e nos estádios. A interlocução
ganhou foro mais fechado. Na verdade, isso se deveu à própria
evolução dos conceitos de socialismo, liberalismo/capitalismo,
social-democracia etc.
Hoje,
pode-se dizer que a concepção de rádio-peão não se impregna do
antigo estigma. Mas é claro que, atualmente, esse tipo de
veículo serve para extravasar os sentimentos de angústia,
frustração, insegurança, coisas que jamais serão abolidas da
qualidade humana. O canal aberto dos trabalhadores continua a
funcionar com outros parâmetros, procurando, agora, mais
equilibrar a comunidade. O termo equilibrar, aqui, tem o sentido
de promover catarse, ajustar, acertar os ponteiros psicológicos
das massas. Se não houvesse no Brasil, radio-peão, futebol e
cachaça (a esse conjunto, pode-se acrescentar a paquera), a
caldeira de pressão social já teria explodido. As sociedades
precisam garantir a existência de suas estruturas de consolação.
Futebol, rádio- peão, cachaça e paquera estão por trás do perfil
do brasileiro cordial. Carregam a simbologia do grito que as
gargantas querem soltar para pacificar o coração e azeitar a
cabeça. Não houvesse essa válvula de escape, a sociedade, a
partir das massas desorganizadas estaria voltando suas energias
para acender fogueiras e tocar fogo em florestas cultivadas por
classes dos andares de cima.
Administração da rede informal
É importante
saber lidar com os rumores na organização. Os profissionais de
Recursos Humanos e os comunicadores são os mais diretamente
ligados à administração das redes informais nas organizações,
onde se desenvolvem os rumores e boatos. Para começar uma
reflexão nesse campo, dou a sugestão: todo esforço deve ser
empreendido para usar a rede informal a favor das políticas
internas. O combate à rede informal pela via ortodoxa pode se
transformar em bumerangue. Combater pela via ortodoxa significa
tentativa de reprimir, condenar, repreender funcionários,
demitir etc. O combate indireto, mais efetivo, leva em
consideração a realidade de uma rede informal, cujos fluxos
podem e devem ser utilizados para passar as informações corretas
e do interesse da empresa.
Trata-se de
uma questão complexa e bastante interessante. O setor de
recursos humanos precisa considerar a importância dos líderes
informais na empresa. No campo da propagação de idéias e
"espalhamento de brasa", tais lideranças informais têm um poder
de fogo maior do que as lideranças formais. Portanto, vale o
esforço para considerá-las como elos importantes na cadeia de
articulação da rede de comunicação interna. Quando se trabalha
apenas com as chefias organizadas, sem considerar a teia de
líderes informais, a política ou o programa estará fadado ao
insucesso. Então, o que pode ser feito? Primeiro, identificar,
de maneira equilibrada e suave, sem barulho, as lideranças
informais. Segundo, procurar convencer tais lideranças, com boa
argumentação e objetividade, que as empresas têm boa vontade
para resolver todos os problemas gerados no ambiente
organizacional. Terceiro, argumentar que as soluções exigem um
tempo e um fluxo de prioridades,sem deixar de apresentar as
dificuldades que a organização está passando e convocando os
líderes informais a integrarem o esforço para se encontrar a
solução mais justa e adequada.
O pano de
fundo de uma negociação com esse formato é o de um mundo em
crise em todos os campos do trabalho. A tecnologia toma conta
dos ambientes. Os postos de trabalho escasseiam. O trabalhador,
hoje, se vale de outros parâmetros ante a mudança de paradigma
no campo do trabalho. Por isso, o conceito de parceria deve ser
bem exposto. O insucesso da empresa será o insucesso de cada um.
Objetividade, argumentos racionais e sólidos, uso de linguagem
coloquial, aberta, sincera, interativa, capaz de traduzir
sentimentos reais. Dessa forma, o interlocutor de Recursos
Humanos poderá convencer as lideranças informais a entrar no
circuito da comunicação e, conseqüentemente, diminuir ou até
eliminar pontos de atrito e impactos de uma agenda conflituosa.
A rede de
secretárias
Há um
sub-sistema que não pode ser deixado de lado na administração da
rede informal das organizações. Trata-se do núcleo das
secretárias. As secretárias são os olhos, os ouvidos, a cabeça e
o coração, enfim, os sentimentos de uma organização. Elas
traduzem os discursos que fluem de todas as aéreas em todos os
momentos. Assemelham-se a um pulmão que oxigena o corpo. Se são
deixadas de lado, podem contaminar o corpo organizacional com
sangue sujo ou contaminado. Ou seja, com rumor pesado ou até
fofoca agigantada. As secretárias são canais importantes de
transmissão e recepção de informações. Num dos meus livros -
Cultura, Poder, Comunicação e Imagem (Pioneira), faço esse
destaque, ao formular as funções da rede de secretárias. Elas
têm um forte poder. É preciso trabalhar bem com as secretárias,
que simbolizam o cartão de visitas de uma empresa. A maneira
como uma secretária atende um visitante carreia simpatia ou
antipatia para a empresa. Secretárias são como imã, que atraem
as partes. Ou como pólo negativo, que afasta pessoas.
Por isso, a
secretária deve ser interpretada e usada como canal de
comunicação para captar fielmente o sentido do discurso, as
abordagens da linguagem, os eixos das falas, as ênfases dos
comunicados oficiais e procurar traduzir de maneira muito
objetiva e correta os sentimentos e desejos da empresa, de seu
setor e de seu chefe. Essa é a razão pela qual o gerente ou
diretor de RH deverá dar mais importância à função da secretária
como canal de comunicação. Ele precisa ter a noção de que uma
empresa é feita por seres humanos que precisam ser respeitados,
ser ouvidos e que podem se transformar em excelentes canais de
comunicação, quando orientados e aperfeiçoados nesse campo.
Pesquisa de
Clima
Há um
instrumento que também precisa ser inserido na planilha do
planejamento e administração das redes informais. Trata-se da
pesquisa de clima organizacional. Sobre esse assunto, começo
lembrando que ela é uma espécie de mapa do segredo da empresa. A
pesquisa de clima organizacional, quando bem realizada, aferindo
todos os segmentos de todas as áreas e setores, com amostras
significativas, exibe a realidade "sem tirar nem por" da
organização. É um espelho que deveria ser usado periodicamente
para que a empresa saiba onde estão os gargalos, os tumores, as
doenças e ameaças ao corpo organizacional. Em termos médicos,
podemos dizer que se trata de uma tomografia feita com aparelhos
muito avançados.
Coisas que a
pesquisa revela: constatações feitas por simples intuição são
passíveis de erro. Por exemplo: questões de comunicação. Há uma
tendência para se debitar à "falha de comunicação, ausência de
comunicação" um apreciável conjunto de problemas
organizacionais. As insatisfações, angustias, relacionamento
entre setores dependem de muitos fatores, entre os quais a
própria comunicação. Mas ela, sozinha, não pode ser considerada
o "bode expiatório" das mazelas empresariais. Portanto, é bom
olhar para as pesquisas de clima organizacional e a verdade que
apontam.
Cheguei a
fazer pesquisas de clima organizacional em algumas empresas e
foi isso que constatei.Repito: parcela formidável dos problemas
de comunicação apontados não era de comunicação. Era de gestão.
Confunde-se comunicação com gestão. Postura gerencial tem a ver
com comunicação, mas com uma área de comunicação que é a
comunicação gerencial. Por isso, o tratamento deve ser feito por
meio da ferramenta da educação, ou seja, por meio de cursos
específicos e não pela via da criação de mais instrumentos de
comunicação. Nos meus trabalhos, tenho observado que os
apontamentos, meios, recursos e formas de comunicação são
freqüentemente defasados.
Cada coisa
no seu lugar
Há um gap
entre o potencial dos meios e a realidade comunicativa exibida.
Ou seja, os meios não são utilizados em sua plenitude. Muitos
pertencem à categoria da comunicação administrativa. Nesse caso,
o problema dizia respeito, por exemplo, à falta de clareza
normativa, à indefinição de metas e objetivos, aos
estrangulamentos nos fluxos verticais
(descendentes/descendentes) e horizontais (entre chefias do
mesmo nível hierárquico) da comunicação. Por isso, um alerta: é
preciso esclarecer muito bem o que é comunicação organizacional.
A comunicação organizacional não pode ser entendida apenas como
comunicação social, o conjunto de veículos de comunicação
coletiva, como jornais, revistas, Tv, rádio etc. Há uma parcela
formidável de comunicação, que pertence ao grupo da comunicação
administrativa (a papelada, relatórios, folders, folhetos,
bilhetes, cartas, memorandos), além de outras formas que
abrangem as comunicações inter-pessoais, e, nesse caso,
pertencem ao núcleo que chamo de comunicação gerencial, onde
multiplicam-se as encruzilhadas e os estrangulamentos, a partir
de uma questão central: a retenção da informação pelos níveis
intermediários, que, receosos de perder poder, prendem as
informações, evitando passá-las para os níveis inferiores.
Que as
coisas fiquem bem claras. Cada tipo de comunicação no seu devido
lugar. Uma coisa é analisar, planejar e executar formas de
comunicação social, via canais clássicos da comunicação
coletiva; outra coisa é trabalhar a comunicação administrativa,
via materiais que implicam produção de normas, instruções,
ordens etc; e a terceira coisa é trabalhar com a comunicação
gerencial. A visão correta sobre os limites de cada setor
propicia o encontro de caminhos e soluções. Há apenas um imenso
problema: o mercado ainda não entendeu isso. Os comunicadores
brasileiros são defasados de cultura comunicacional sistêmica.
Cada
grupamento especializado de comunicação, infelizmente, pensa
apenas nos produtos e nos espaços apreendidos em salas de aulas
de cursos defasados de comunicação. Relações Públicas, relações
institucionais/governamentais, publicidade mercadológica,
publicidade institucional, jornalismo, jornalismo empresarial,
assessoria de imprensa, endomarketing, editoração, identidade
visual, pesquisa, rádio, tv, Internet, Intranet, redes
informais, comunicação inter-pessoal e grupal, constituem formas
de comunicação que se unem e se integram dentro do arco
sistêmico da comunicação organizacional. E este arco possui três
grandes territórios: comunicação social, comunicação
administrativa e comunicação gerencial. Não são departamentos
estanques. Ora, o mercado faz a divisão, as empresas contratam
especialistas de setores específicos, mas o principal
profissional - o profissional sistêmico, com visão generalista e
domínio de cada setor especializado - não aparece nos
organogramas, pois ainda não está disponível. Há muito poucos no
mercado.
Os
profissionais de Recursos Humanos são muito esforçados e têm
histórias de sucesso. Infelizmente, não possuem domínio amplo
sobre os campos da comunicação. Devagarinho, repetindo,
repetindo, começo a perceber que a minha toada em torno da
comunicação organizacional abre espaços para uma pequena
floresta de idéias e conceitos. Os trabalhos que tenho
realizado, como consultor de comunicação organizacional, trazem
o selo da comunicação sistêmica. Em suma, as pesquisas de clima
organizacional devem abrigar questões e perguntas que expressem
as áreas que acabo de referir a fim de apontarem a
especificidade dos problemas a serem medidos. Se não há
compreensão adequada sobre o que prospectar, o diagnóstico será
passível de vieses e distorções.
Novas
ferramentas
Destaco,
agora, a importância das novas ferramentas tecnológicas na área
da comunicação. A tecnologia facilitou o processo de
disseminação das informações, tanto para dentro como para fora
da empresa.
A tecnologia
ajuda, quando bem usada, e desajuda, quando usada de maneira
burra. A Internet e as Intranets são ferramentas de grande
efeito, muito eficientes quando usadas de maneira racional. O
uso irracional ocorre quando serve para entupir as caixas de
entrada de informação dos usuários.
Pequenas
regras básicas: é preciso definir o quê comunicar, para quem
comunicar, como usar a linguagem e, ainda, como controlar as
comunicações enviadas e recebidas. O primeiro ciclo da Internet
foi o da descoberta. As caixas se entupiram, inclusive com
vírus. Todo mundo entupindo todo mundo, como se fosse uma
batalha onde o vitorioso será aquele que mais e-mails
transmitir. É como se todos estivessem numa batalha e recebessem
uma arma moderníssima. No campo de batalha, todo mundo atirando
em todo mundo. Ora, quem não sabe usar a arma de maneira
adequada, acaba morrendo. É preciso saber lubrificar a arma,
conhecer seu potencial, distinguir o inimigo etc.
Agora, é que
a Internet está entrando no segundo tempo.Estamos começando a
abrir o ciclo de maior racionalidade para essa ferramenta
tecnológica. Nesse caso, o uso racional vai selecionar melhor o
quê, quem, como, onde e porque comunicar. A empresa não pode
medir sua comunicação por quilo. Algumas chegam a produzir entre
5 a 10 quilos, e o receptor/consumidor não tem condições (tempo,
interesse etc) em consumir um quilo por dia. Se as pessoas
imprimissem o que recebem, o peso seria grande.
Ação
conjunta
Por último,
destaco a necessidade de se trabalhar a comunicação dentro de
uma visão sistêmica. RH e Comunicação devem procurar parceirizar
suas ações, principalmente em determinados campos do
endomarketing.
Comunicação
é um sistema-meio, não é um fim em si mesma. Trata-se de uma
ferramenta que todas as áreas empresariais deveriam usar para
maximizar os seus recursos e aperfeiçoar suas técnicas. Se é
assim, a comunicação precisa servir a todas as áreas.É suporte,
é apoio, é meio, é veículo, é modelo de emissão e recepção. Há
áreas que têm afinidade maior com o sistema de comunicação, por
exemplo, RH, que trata do ser humano e com o ser humano. A
comunicação é inerente ao conceito de Recursos Humanos. Quando
duas pessoas interagem, estão promovendo uma relação humana, que
é, fundamentalmente, uma relação de comunicação. Portanto, quem
administra conceitos como comportamentos, atitudes,
expectativas, valores, princípios, virtude, qualidades, está
administrando também fatores de comunicação. A comunicação é uma
ferramenta fundamental para o bom desempenho dos Recursos
Humanos.
Sob o prisma
de subordinação, entendo que a comunicação deve estar atrelada
ao top superior da empresa. Todas as áreas precisam da
comunicação. Logo, o ferramental para atender os objetivos de
cada área deve estar sempre disponível e não sujeito aos mandos
de um departamento de linha. Quanto mais em cima, perto do
comando central, mais eficaz será o sistema de comunicação.
Nesse caso, os conflitos rotineiros deixarão de ocorrer ou irão
diminuir.
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