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Os escândalos de caixa dois de campanhas eleitorais motivaram
a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) a lançar a
Operação Eleições Limpas, iniciativa que objetiva mobilizar
juízes eleitorais e a sociedade para fiscalizar com rigor as
campanhas de 2006. Esta iniciativa é um desdobramento da
articulação iniciada pela AMB com o ato público contra a
corrupção e a favor da ética na política, realizado em agosto
de 2005.
A solenidade de lançamento (em 10.05.2006) contou com a
presença de cerca de 150 magistrados, parlamentares,
estudantes e representantes de entidades de classe e foi
incrementada com palestra da cientista política Lucia
Hippolito.
O presidente da AMB, juiz Rodrigo Collaço, disse que a idéia
de lançar a campanha surgiu dos recentes episódios que
registraram o envolvimento de candidatos a cargos eletivos com
a prática de caixa dois. “Implantada a urna eletrônica no
sistema eleitoral brasileiro ficou abolida a fraude no voto em
si. Agora é chegada a hora de a magistratura brasileira
direcionar sua luta no combate às fraudes eleitorais no
sentido mais amplo”, afirmou.
Collaço comunicou aos participantes da solenidade que foram
impressas 100 mil cartilhas que, de forma bastante didática,
vai orientar juízes e demais cidadãos brasileiros sobre o que
é permitido e o que é proibido em termos de arrecadação e
gastos eleitorais. “Para difundir essa campanha, precisamos do
engajamento não só dos juízes eleitorais, mas de todos os 15
mil magistrados brasileiros. Só assim nosso objetivo de tornar
as eleições no país mais éticas e limpas será alcançado”,
salientou o presidente da AMB.
Após a
abertura da Operação Eleições Limpas pelo presidente Collaço,
a palavra foi concedida à cientista política e jornalista
Lucia Hippolito. No início de sua palestra, Lúcia agradeceu o
convite da AMB e disse que tem um namoro antigo com a
Associação, desde a criação do livreto O Judiciário ao Alcance
de Todos – Noções Básicas de Juridiquês.
Lucia
Hippolito abordou aspectos sobre a reforma política, a
fidelidade partidária, além de responder às perguntas dos
magistrados e dos parlamentares presentes. Eles a questionaram
sobre a influência que as pesquisas exercem no momento do
voto, a opinião sobre o financiamento das eleições, reeleição,
verticalização, voto obrigatório e o poder que os movimentos
sociais e as organizações não-governamentais têm no país.
“Tudo que a
AMB fizer para contribuir com a democratização da informação
eu estarei de pé aplaudindo. Com a Operação Eleições Limpas, a
AMB está dando uma contribuição muito grande para que haja
fiscalização nas campanhas eleitorais. Tem de haver
fiscalização, transparência e luz sobre os gastos públicos”,
ressaltou Lucia Hippolito.
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